Antes de me tornar um membro da igreja mórmon (1)

janeiro 28, 2009 por Giuseppe Martinengo
Arquivado em: Minha Conversao, Testemunhos 

Eu não nasci e cresci em Utah entre os Mórmons mas fui criado por uma família católica na Itália.

Quando eu tinha 10 anos de idade meu pai morreu devido a um câncer de pulmão (ele fumava cigarros) aos 47 anos de idade. Sua morte mudou tudo em minha vida. Eu era então o filho único de uma jovem mãe viúva (minha mãe tinha 33 anos de idade).

Apesar de todos os esforços feitos pela minha mãe para me ajudar a lidar com a situação, rapidamente eu percebi que algo tinha mudado, não só na minha vida normal, mas também dentro de mim. Eu não me sentia mais como as muitas outras crianças, que podiam ser apenas crianças sem muitos problemas, e especialmente sem muitas perguntas sobre a vida e sem sentir uma subia tristeza.

Por causa da morte de meu pai, eu percebi que algumas pessoas começaram a me tratar de maneira diferente e, ao longo do tempo tive que enfrentar algumas duras questões sobre o sentido de nossa existência aqui na terra.

Eu não percebi a importância do que se passava dentro de mim até eu ter a idade de 13 ou 14 anos. Contudo, com a idade de 14 anos eu estava começando a me sentir muito insatisfeito com o mundo em torno de mim e com as respostas que meus professores, familiares e religiosos me davam sobre as questões importantes da vida.

Eu estava começando a perceber que talvez estivesse faltando algo nas crenças da maioria das pessoas em torno de mim, mas eu não estava certo do quê.

É importante salientar que a presença da Igreja Católica foi muito forte em meu ambiente familiar, e que ainda posso lembrar de uma situação, quando eu tinha cerca de 9 ou 10 anos de idade, em que durante uma aula na escola sobre as pessoas de outras crenças, eu perguntei a mim mesmo: “Como podem as pessoas não serem católicas? Eles não sabem que todos eles irão viver para sempre no inferno? Porque eles não mudam de religião e tornam-se todos católicos?”. Essa foi a força da tradição católica no ambiente em que eu vivia.

A morte do meu pai, no entanto, começou a mudar a minha posição. O Senhor às vezes trabalha de forma misteriosa para realizar seus propósitos.

De fato, depois da morte de meu pai, minha mãe diminuiu seu envolvimento com a Igreja Católica. Ela ainda era católica, mas, talvez porque ela não encontrou o que estava procurando para lhe ajudar com essa difícil situação de perda, ela começou a buscar em outros lugares.

Ela começou a ler livros sobre religiões e filosofias orientais, como Ioga, Zen, Budismo e ela tornou-se praticante do Ioga.

Sua exploração abriu um mundo novo para mim. De repente, eu estava lendo sobre outras religiões e filosofias e fui descobrindo que havia várias coisas interessantes para serem aprendidas.

Comecei a perceber que talvez na Igreja Católica não houvessem as melhores respostas para as perguntas da vida.

Além disso, eu comecei a me familiarizar com os conceitos de progressão espiritual e a idéia de auto-aperfeiçoamento espiritual.

Não que estes conceitos sejam completamente ausentes na tradição católica, mas na vida cotidiana de um católico isso é coisa quase inexistente, uma vez que este aspecto é apenas enfatizado para aqueles que abandonam a vida “normal” e tornam-se padres ou freiras.

O meu religioso favorito foi São Francisco de Assis, mas eu não gostava da idéia de que um homem ou mulher religiosos deveriam desistir do casamento para seguir uma vida religiosa plena.

Eu tinha um amigo querido, Stefano, que era um dos membros de um pequeno grupo protestante. Eu sempre foi atraído pelo fato de que este e outros grupos protestantes tinham rejeitado o princípio do celibato em suas igrejas. Quando as pessoas como eu estão imersas em uma forte cultura católica, estes pequenos exemplos ou idéias podem fazer uma grande diferença ao longo do tempo e nos podem dar a coragem de perseguir algo diferente, apesar da forte pressão da tradição.

Quando eu tinha 15 anos de idade, passei por outra importante experiência. O cenário foi o de uma viagem a Roma. O objetivo da viagem era para a juventude católica de toda a Europa encontrar-se com o Papa.

Naquela época eu estava envolvido com a juventude da minha paróquia, mesmo quando eu já estava começando a questionar algumas crenças. Durante essa viagem, algo especial aconteceu.

Especificamente neste dia, milhares de jovens estavam preparados para encontrar o Papa na Basílica de São Pedro.

Tínhamos sido preparados há meses para este encontro especial. Jovens de toda a Europa tinham viajado para estar alí. Obviamente, o Papa não estava presente quando chegamos e por isso todos que estavam reunidos ali no piso da igreja começaram a cantar.

Eu realmente não cantava, mas eu ouvi, por alguns instantes os cantos gregorianos, e depois comecei a não me sentir bem.

Eu tinha grandes expectativas sobre esta visita especial ao Papa, mas depois de um tempo comecei a pensar: “O que estou fazendo aqui? Por que eu estou aqui afinal? Só por que outras pessoas me disseram que seria especial?”.

Eu fiquei em duvida por um tempo, e então decidi me levantar e sair. Tive uma sensação de alívio quando eu deixei aquela estranha atmosfera na Basílica São Pedro.

Eu tinha um tio que morava em Roma e decidi visitá-lo e passar algum tempo com sua família em vez de ficar naquela reunião com o Papa.

No caminho de volta para minha cidade, no norte da Itália, enquanto ainda estava no trem tive a oportunidade de dizer o que eu tinha feito para o nosso guia, um sacerdote muito amigável. Eu disse-lhe sobre os meus sentimentos, minhas dúvidas, e sobre o fato de ter saído da reunião.

Comecei a fazer algumas perguntas sobre as crenças católicas. Após me ouvir e discutir comigo durante algum tempo, ele finalmente disse: “Se você acredita nestas coisas, então você não é um católico”. Isso foi realmente uma afirmação forte e desafiadora, um convite de volta à ortodoxia. Fiquei um pouco perplexo, mas eu respondi: “Então, eu provavelmente não sou um católico!”

Suponho que o Espírito do Senhor estava presente naquele dia me dando apoio e abrindo minha mente, porque me senti aliviado quando eu disse o que eu realmente estava pensando, e não estava com medo da reação do sacerdote.

Após esse episódio, a minha busca de respostas foi direcionada principalmente para fora da Igreja Católica.

Quando confrontado com minhas perguntas, o sacerdote não encontrou nada melhor para me sugerir a não ser que eu tivesse uma fé cega ou que me considerasse um herege! (continúa…)

Comentários

4 respostas para Antes de me tornar um membro da igreja mórmon (1)

  1. Antes de me tornar um membro da igreja mórmon (2) | GMormon (Giuseppe Martinengo) on seg, 2nd fev 2009 4:44 pm
  2. [...] Antes de me tornar um membro dgrejórmon (1) [...]

  3. Links: Blogs SUD « E eu respondi: Não sei (1 Nefi 13:22) on seg, 9th fev 2009 5:46 am
  4. [...] testemunho > GMormon (Giuseppe Martinengo): Antes de Me Tornar Membro dgrejórmon parte 1 e parte 2 – testemunho de um irmão italiano. E testemunho é elhor coiso mundo. Amo ouvir e [...]

  5. Hugo on qua, 1st set 2010 1:13 pm
  6. Sabe, eu também tenho duvidas quanto eligião católica. Tenho 16 anos, e minhamiliod© católica, mas não consigo aceitar as doutrinas desseligião. Nerdade, de nenhumeligião, posso estar sendo ridiculo e posso me arrepender disso depois, mas não vejo lógicm religião, nenhumelas.

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    Giuseppe Martinengo Reply:

    Se voce for serio em suesquisodemos conversar mais

    Reply

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